Como a tecnologia pode ajudar o seu filho autista.

By 02/04/2020 Sem categoria

Hoje, dia 02 de Abril, é o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Esta condição, afeta uma a cada 160 crianças no mundo.

App ajuda estudantes com autismo

No Colégio Pauliceia, em São Paulo, pelo menos 30% dos alunos possuem algum tipo de deficiência. Dessa fatia, a maioria apresenta quadro de autismo. O colégio oferece a utilização de tablets para a comunicação alternativa, com um aplicativo de comunicação por símbolos chamado Snap Core First. Basicamente, o app conta com um suporte de palavras básicas. Ele está disponível para download gratuito, mas há também uma versão paga, mais completa.

“A compreensão da diversidade implica em entender que as pessoas são diferentes, que têm necessidades específicas que precisam ser atendidas diferentemente. Defendemos o modelo de inclusão da pessoa com autismo baseada em Análise do Comportamento Aplicada. Nesse modelo, a pessoa responsável elabora, em conjunto com a escola, um currículo adaptado, levando em consideração o currículo típico e o conhecimento de repertório da criança com autismo. Idealmente, esse currículo adaptado é aplicado pelo AP (acompanhante personalizado) que atua integrado ao professor”, conta Carmen Lydia Trunci, a diretora do colégio.

Carmen defende que os professores e toda a equipe de uma escola inclusiva devem lidar com quem tem autismo da mesma forma que lidam com todos os alunos, respeitando a diversidade e entendo como uma possibilidade de evolução para todos. “Todas as crianças se beneficiam de um processo de inclusão bem direcionado, pois se colocar no lugar do outro e fazer para ele o que gostaríamos que fizessem conosco faz toda diferença na nossa formação. Quando o respeito à diversidade é trabalhado como um valor importante na instituição, percebe-se que as pessoas envolvidas se tornam solidárias e dificilmente ocorrem situações de bullying. Quando ocorre alguma situação dessa natureza, o importante é reiterar os princípios e trabalharmos com limites claros, de forma a favorecer o crescimento do grupo”, completa a diretora.

Inteligência artificial detecta autismo

O professor Anselmo Frizera Neto, membro do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) desenvolveu uma pesquisa de inclusão de pessoas com déficit cognitivo, que possui aplicação de robótica e Inteligência Artificial. Trata-se de um dispositivo para detectar o autismo, usando o método de aprendizagem de máquina, onde o sistema é alimentado com dados dos exames de pacientes com suspeita da doença. Após processar as informações, o algoritmo avalia se a pessoa possui ou não autismo. Em um ambiente monitorado por câmeras e sensores, um robô interage com a criança. Cada reação é avaliada pelo sistema, que indica potenciais sintomas, possibilitando o diagnóstico precoce e o tratamento adequado.

O professor conta que a ideia do projeto surgiu durante uma banca de doutorado da qual participou no Programa de Pós-Graduação em Ciências Fisiológicas na UFES. Ao ver como era feita a avaliação e os trabalhos de pesquisa com crianças com autismo, usando tecnologias atualmente disponíveis (como a eletroencefalografia ou a ressonância magnética funcional) e as grandes dificuldades de compatibilizar tais tecnologias com o conforto da criança durante a avaliação, foi discutido se não haveria outra forma de medir os parâmetros de interesse. Segundo Frizera, a alternativa deveria ser menos invasiva e mais transparente para o paciente, de forma a obter informação sem as dificuldades atualmente encontradas.

“Então pensamos em realizar medições do foco de atenção visual usando câmeras escondidas no ambiente durante a intervenção com psicólogos treinados. De forma complementária, pensamos ainda em desenvolver um pequeno dispositivo robótico que apoiasse o profissional da saúde durante as intervenções. E, assim, começamos a trabalhar na ideia, sem financiamento específico para tal fim”, relembra.

Para Frizera, qualquer tecnologia que venha a ser desenvolvida para melhorar a qualidade de vida das pessoas têm importância extrema. “No entanto, o impacto pode ser ainda maior se direcionamos os nossos esforços de pesquisa e desenvolvimento para apoiar as pessoas com necessidades especiais e encontrar formas de melhor incluí-las na sociedade”, afirma o professor. Por fim, ele ainda observa que o foco é no desenvolvimento e validação do conceito/protótipo e que ainda faltaria a participação de empresas que pudessem comercializar e levar tais desenvolvimentos para o mercado.

Fonte da notícia: Globo